Crítica | Baile à la Baiana


★★★★★
5/5

Não há dúvidas de que Seu Jorge é uma grande figura para a indústria musical brasileira. Seus sucessos são pequenos fragmentos de sua inteligência acima da média e de sua visão de uma identidade nacional tão genuína e densa. Dito isso, em meio às festividades carnavalescas, o artista lança Baile à la Baiana; um álbum que não desce por ladeiras emocionais – muito pelo contrário –, mas mistura samba, soul e música baiana. Ele agita até os desanimados ou ignorantes de uma época tão livre e especial para o Brasil.

A obra é como se estivéssemos ambientados em Salvador, o calor das pessoas e a energia carnavalesca são tão presentes quanto os frevos de Recife. O abre-alas é um aquecimento de momentos mais grandiosos, funciona bem para introduzir o universo do LP (“Sete Prazeres”); mas há momentos mais brilhantes que te deixam boquiabertos com Seu Jorge após 20 anos de carreira (“Sábado à Noite”). O uso de elementos inspirados em Bell Marques, por exemplo, causa uma sinergia entre o nosso corpo, a música e a magia na qual só um feriado como carnaval proporciona (“Chama o Brasil pra Dançar”).

Baile à la Baiana é um grande carro alegórico, com um contexto musical tão rico. Seu Jorge é quase uma força da natureza, um encantador natural do público. Apesar da desordem na organização das faixas, entendo que isso é proposital, afinal, se somarmos as máscaras, o glitter e um copo de cerveja; sentimos nitidamente a essência iminente do folião enlouquecido na pipoca do trio elétrico. É incrível.

Selo: Altafonte
Formato: LP
Gênero: MPB / Pop
Lu Melo

Estudante de Jornalismo, 18 anos. Amante da música e da cultura pop desde a infância. Escreve para o Aquele Tuim, integrando a curadoria de R&B e Soul.

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