Crítica | In The Blue Light


★★★★★
5/5

No dia 28 de maio de 2024, o lendário clube de jazz Blue Note Jazz Club recebeu uma apresentação apoteótica de Kelela — e, apesar da sua constituição intimista, a casa estava cheia para recebê-la de braços abertos. Desse modo, o grande trunfo de In The Blue Light é de não se limitar a ser mero registro e reprodução.

Em um repertório refinado que inclui músicas de todos os seus trabalhos anteriores (como “Raven”, “Better”, “All The Way Down” e “Cherry Coffee”) e regravações de Joni Mitchell e Betty Carter, é impossível não se sentir parte do show. A sensação é de que estamos vibrando com o público, sentados em uma das mesas e admirados com a presença hipnótica de Kelela na nossa frente. Seja pela captação das reações do público ou pelo próprio dinamismo entre artista e plateia (é impossível não abrir um sorriso quando ela declara "Free Palestine"), o sentimento de pertencimento é o que abrilhanta o registro que, por si só, já é tão estimado.

É interessante notar a consciência que Kelela possui sobre seu próprio repertório. Nessas novas versões, há um uso ostensivo de arranjos e instrumentações pouco exploradas por ela em estúdio, como harpas e violoncelos, e que estão ali para estender o escopo de significados dessas canções. Porém, é a sua voz é o que, de fato, comanda tudo — é um registro tão doce e único que é impossível não se sentir preenchido por ele. O canto perfeito de uma sereia melancólica, que ressoa lindamente pelas paredes e pelos nossos ouvidos.

Selo: Warp
Formato: Live
Gênero: Jazz / Smooth Soul, Alternative R&B

Felipe

Graduando em Sistemas e Mídias Digitais, com enfoque em Audiovisual, e Estagiário de Imagem na Pinacoteca do Ceará. É editor adjunto do Aquele Tuim, integrando a curadoria de Música do Continente Africano.

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