Imagine-se em uma floresta escura, onde quase não há feixes de luz ao redor. Então, ali, naquela densa floresta, você cai em um penhasco que foge da sombrosa natureza para um local tecnológico. Zero Nine é uma combinação clara de natureza e tecnologia que não tem medo de ser ousada – quando quer – na passagem de ambientes ao longo do ciclo do álbum; ora por uma paz angustiante ao som de pássaros (“Zero Nine One”), ora por uma queda brusca nas batidas meramente psicodélicas (“Zero Nine Four”), que me agradou um tanto. É fato que, entre o último trabalho de Rontronik e esse, Zero Nine é o que mais individualiza os dois mundos em que o artista trabalha. A textura barulhenta de suas composições brilha bastante; cada ruído, cada som que é colocado é, propositalmente, agonizante. É interessante, porque Zero Nine é uma experiência intrigante para ouvintes não-públicos de música ambiente, introduzindo-a de uma forma "leve" para que os ouvidos mais ignorantes possam se acostumar com uma loucura sofisticada e completa.