Crítica | Ash


★★★★☆
4/5

Recentemente, tem havido um crescimento de artistas de k-pop buscando se aventurar em abordagens pop alternativas, seguindo a tendência no Ocidente de artistas mainstream também voltando sua atenção para esse som. Embora alguns nomes mais famosos tragam sensibilidades ao estilo, está claro que os melhores artistas para confiar nesses aspectos ainda são os que estão no underground da indústria musical sul-coreana.

Ash é marcado em especial pela forma como aborda o minimalismo. É um registro tomado por uma instrumentação leve, mas que pega referências de música eletrônica que se diferencia do comum na música pop comercial, além de uma performance mais despojada que faz esse alinhamento alternativo, especialmente ao se despir da grandiosidade e da, geralmente, mega-produção vocal da música pop. “Universe”, faixa inicial, parte do trance – de um jeito diferente da euforia que a Coreia do Sul teve contato com Lee Jung-hyun em Let's Go To My Star –, é um som aconchegante, como um abraço apertado de um grande amigo

Já “Ash” mistura elementos mais crus de música eletrônica com arranjos de cordas quase imperceptíveis de fundo. É como se soubéssemos que, às vezes, coisas simples na vida podem ser muito gratificantes, e essa faixa consegue provocar essa sensação: ela é mínima em seu som, mas ao mesmo tempo muito doce. “Milky” é, no entanto, minha peça favorita aqui. Ela se afasta das convenções da abordagem drum n’ bass dentro do k-pop, com o som caótico dos breakbeats e linhas de baixo sujas do jungle. Parece uma evolução natural do que iiso vinha explorando em trabalhos anteriores no gênero, mas aqui, com uma nova perspectiva. Esses exemplos evidenciam sua maestria em absorver elementos da cena underground e executá-los com precisão e personalidade.

Selo: Independente
Formato: EP
Gênero: Música do Leste e Sudeste Asiático / K-Pop, Eletrônica

Davi Bittencourt

Davi Bittencourt, nascido na capital do Rio de Janeiro em 2006, estudante de direito, contribuo como redator para os sites Aquele Tuim e SoundX. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático, Pop e R&B.

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