Crítica | A Fanfiqueira / O Fofoqueiro


★★★★☆
4/5

“A Fanfiqueira” e “O Fofoqueiro”... Os títulos das duas faixas instrumentais do novo EP de Gabriel Guerra, Guerrinha, deixam claras suas intenções: um material descontraído, livre de formalidades ou pretensões que vão além do groove animado e das estruturas instrumentais marcantes. Mas são, acima de tudo, conscientes de si — não apenas sérias, mas super sérias.

Aqui, elementos se repetem em ciclos que traduzem o que a diversão pode ou não ser. O som carrega nostalgia, mas sem se render à frivolidade dela. É por isso que os instrumentos — um órgão D50 diluído e uma bateria fragmentada — ressoam entre cordas e camadas eletrônicas que instigam a aurora boreal do EP. Um brilho que exige entortar o pescoço para enxergar, sempre acima.

Essa audição, ao mesmo tempo acessível e desorganizada na medida certa, faz de A Fanfiqueira / O Fofoqueiro um prazer que não precisa de mais do que seu próprio alcance instrumental, de boas composições e um domínio certeiro de ritmo, para afirmar sua elegância. Uma elegância que se dissolve na pureza da imagem da mulher fanfiqueira, contadora de boatos egocêntricos, e do homem fofoqueiro (que figura feia!), despertando um interesse mordaz.

Selo: Independente
Formato: EP
Gênero: Jazz / Fusion

Matheus José

Graduando em Letras, 24 anos. É editor sênior do Aquele Tuim, em que integra as curadorias de Funk, Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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