Crítica | I Am Vini


★★☆☆☆
2/5

A repetição é um elemento fundamental no funk. Quando usada como parte da linguagem do gênero, ela tende a oferecer ideias complementares extremamente importantes para a fixação da marca — é o caso das vinhetas de DJ ou mesmo beats como o serie gold. Em I Am Vini, a repetição é atordoante, de forma pouco positiva. Primeiro, dá a impressão de que o DJ está sem ideias e por isso ele recorre constantemente a um beat estilo VGmusic (que o pessoal do phonk adora) que se torna tão redundante quanto estático, sem sequer avançar ou retroceder.

Piora quando temos a impressão de estar perdidos no meio do álbum. Sem saber — ou lembrar — da música que ouvimos anteriormente ou da que estamos ouvindo no exato momento temos essa sensação. É sinal de que algo está errado. E mesmo que haja ótimas acapellas, letras que dialoguem com o que se espera do funk, nada disso parece realmente se concretizar graças à repetição vazia, opaca e sem vida que o DJ provoca sem nenhuma intenção maior. É como se ele tentasse colocar uma miligrama de phonk em cada faixa, para que este som abjeto ao menos seja capaz de render um destaquezinho, uma proeminência numérica. É tosco.

Selo: Authentic Records
Formato: LP
Gênero: Funk

Matheus José

Graduando em Letras, 24 anos. É editor sênior do Aquele Tuim, em que integra as curadorias de Funk, Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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