Crítica | I Said I Love You First


★☆☆☆☆
1/5

Um aspecto curioso de I Said I Love You First, álbum de Selena Gomez em conjunto com Benny Blanco, é seu direcionamento para um estilo de som de pop alternativo, que a artista já havia flertado algumas vezes — principalmente em 2017, com “Bad Liar” e “Fetish” —, mas nunca tinha tomado para um material completo. Apesar disso, as aventuras da ex-act da Disney nessa abordagem é extremamente enfadonha, além de inconsistente, é ausente quase totalmente de emoção.

Esse disco era para ser, acima de tudo, uma declaração de amor entre ambos, porém, a falta de habilidade da intérprete de manifestar seus sentimentos a partir da música soa como se eles tivessem acabado de ter uma briga séria e estão tentando ao máximo fingir que nada aconteceu, dizendo que se amam muito redundantemente. Apesar de ao longo do registro ser explorado diversos estilos, há um padrão mais despojado e mínimo que não só afirma o caráter alternativo, mas busca dar ênfase ao que a cantora tem para falar. Todavia, seu vocal é extremamente apático e, mesmo que as produções tenham boas ideias, a performance sem força torna-as cansativas, principalmente pois, em uma sonoridade que necessita tanto da interpretação da artista, é difícil mascarar a mediocridade dessa marca que ela carrega em outros quesitos.

O pior disso é que quase tudo é mal-executado, Selena Gomez tenta explorar o pop alternativo que já recebeu bons frutos no passado, mas aqui todas essas sensibilidades são implementadas da maneira mais rasa. Nesse sentido, a única faixa efetiva é “Bluest Flame”, na verdade, um excelente exemplo de como utilizar de apetrechos alternativos dentro da música pop. Os vocais tomados por reverbs e autotune, junto a melodias pegajosas e texturas plásticas e açucaradas do bubblegum bass, fazem dela o momento mais animador do registro.

Curioso é como um dos únicos pontos altos da obra é justamente quando se tem o toque da Charli xcx, referência em fazer música pop criativa. Selena Gomez parece querer também mostrar essa veia inventiva, se aventurando em sonoridades que tentam muito afirmá-la como um diferencial dentro da música pop comercial, mas quando não se tem muito conteúdo é difícil tentar forçar alguma identidade artística interessante.

Selo: Interscope
Formato: LP
Gênero: Pop

Davi Bittencourt

Davi Bittencourt, nascido na capital do Rio de Janeiro em 2006, estudante de direito, contribuo como redator para os sites Aquele Tuim e SoundX. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático, Pop e R&B.

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