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O primeiro álbum de inéditas de Arnaldo Antunes em cinco anos, Novo Mundo, nasce do desejo do artista de se embrenhar em canções mais agitadas, impulsionado pela última turnê dos Titãs. Para isso, reuniu um time de peso, cada um trazendo sua marca para dar vida a esse novo mundo.
Pupilo, Kiko Dinucci, Vitor Araújo (responsável por um dos melhores discos brasileiros da década de 2010, Levaguiã Terê) e Betão Aguiar estão entre os nomes envolvidos. Ainda assim, por mais que todos façam sentido na empreitada, o resultado soa como algo do passado.
As composições de Arnaldo sofrem — ou são demasiadamente influenciadas — pela força que ele tem em se afirmar, e de ser, um nome definitivo do que podemos chamar de velha MPB. Para mim, apenas MPB, o que reforça o quase estigma de Arnaldo como um típico cantor TV Cultura core — o que está longe de ser algo ruim.
Seu dueto com Marisa Monte, “Sou Só”, por exemplo, revitaliza e ressignifica o que algo clássico pode representar hoje. Na verdade, essa música cumpre esse papel melhor do que a própria tentativa de Arnaldo de atualizar sua sonoridade ao contar com novos nomes na produção. É uma das melhores faixas do ano, um presente genuíno. A força de ambos é inexplicável, especialmente a de Marisa, a maior artista viva da música brasileira.
O mesmo vale para “Pra Não Falar Mal”, divertida parceria com Ana Frango Elétrico. Aqui, tudo soa exatamente onde deveria estar. Diferente das duas colaborações com David Byrne, “Body Corpo” e “Não Dá Para Ficar Parado Aí na Porta”, que, apesar do peso do nome do fundador do Talking Heads, acabam não dizendo muita coisa…
Selo: RISCO
Formato: LP
Gênero: MPB