Crítica | eternal sunshine deluxe: brighter days ahead


★★★★☆
4/5

O primeiro passo para nos esquecermos de alguém é aceitarmos o nosso passado. Ariana Grande já viveu muitos altos e baixos e em sua música, suas cicatrizes – amorosas principalmente – perduram até os dias de hoje. eternal sunshine foi um processo de cura na vida e na música, uma fase que refinou o pop casual da artista e a consolidou novamente como uma peça essencial no gênero. Seguindo a mesma narrativa, eternal sunshine deluxe: brighter days ahead é a continuação agradável do projeto, embora a simplicidade de algumas faixas possa, em certos momentos, soar desinteressante

Como uma continuação direta da versão original, a obra acerta no objetivo de retornar ao passado para reconhecer suas falhas. Aqui, nos é apresentado uma Ariana vulnerável, sincera e sensual; dando lar a certos questionamentos que não foram levantados anteriormente (“Twilight Zone”). Há faixas que desagradam por apelarem por uma simplicidade em seu corpo, mas que não perdem a linha narrativa da história (“Warm”). Ariana Grande também abre espaço para refutar a si mesma, retirando seu romantismo de Positions para dar lar a respostas viscerais: “I'd rather be seen and alive than dying by your point of view”, canta em “Hampstead”, ecoando e invertendo o sentimento de “I’d love to see me from your point of view”, de “pov”.

Por fim, eternal sunshine deluxe: brighter days ahead é a demonstração da maturidade de Ariana no cenário do pop. Afinal, estamos cansadas de pop rock, da onda noventista e das cópias descaradas de Taylor Swift; precisávamos ter de volta alguém que saísse do hiper-genérico para uma identidade que só ela tem. Apesar de um desânimo em algumas músicas, a introspecção e a magia deste álbum faz com que ele se torne tão único e brilhante. É um pop que não tem medo de ser pop e de ir um pouco além do que começamos a ver tão comumente na indústria.

Selo: Republic
Formato: LP
Gênero: Pop
Lu Melo

Estudante de Jornalismo, 18 anos. Amante da música e da cultura pop desde a infância. Escreve para o Aquele Tuim, integrando a curadoria de R&B e Soul.

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