★★★☆☆
3/5
Only Dust Remains é um álbum sombrio no sentido mais puro da palavra. Desde a capa — sem cores e com uma imagem inquietante da artista exibindo uma expressão facial obscura— até a forma como Backxwash rima em todas as faixas, sem exceção. A temática, repleta de raiva, descontentamento e revolta, aliada à produção agressiva que flerta com o post-rock e rock, mantém a identidade característica da artista. Antes deste lançamento, Backxwash já havia explorado conceitos profundos em uma trilogia de álbuns que abordam herança negra, identidade e espiritualidade. Possuindo a influência tanto pelo hip hop quanto pelo rock e horrorcore.
Para fãs de hip hop que não estão acostumados com esse tipo de fusão entre estilos, Only Dust Remains pode soar estranho à primeira audição. Mas, ao entender que a proposta do álbum é justamente incomodar, sua sonoridade faz muito mais sentido.
A rapper Ashanti Mutinta explora a temática fúnebre desde “Black Lazarus", a faixa de abertura, expondo o conflito entre sua angústia pessoal — envolvendo traumas ligados à ancestralidade negra, autoestima e questões subjetivas. No entanto, de forma inusitada, ela expressa um descontentamento consigo mesma ao comparar seus próprios dilemas com a realidade de pessoas que, em sua percepção, sofrem ainda mais. "Por que diabos estou reclamando aqui / Quando há crianças em Gaza sem um pai", canta Ashanti, contrapondo seu próprio sofrimento já exposto anteriormente na faixa, como se discordasse de si mesma.
O ponto alto (nem tão alto assim) do álbum vem logo na segunda faixa, “Wake Up”. Com pouco mais de sete minutos, a música brinca com ritmos e parece nos transportar para os pensamentos mais íntimos de Ashanti. É como se entrássemos, de fato, na mente dela. Gritos de "Acorda!" ecoam, expressando um ódio suprimido por muito tempo. Durante cerca de cinco minutos, somos expostos a uma confusão mental que estressa, incomoda e evoca sentimentos angustiantes. No entanto, logo depois, surge um coro semelhante ao de uma igreja, que, após a explosão de raiva, transmite apenas tristeza e uma vaga esperança de algo melhor.
O projeto de Backxwash certamente nasce da experimentação — testar ritmos, instrumentos e uma sonoridade que se recusa a se encaixar. Não se trata de uma proposta falha, mas há momentos no álbum em que a experiência se torna cansativa. “Undesirable” apresenta uma bateria de fundo que parece em desacordo com sua rima, sem uma progressão clara. “9th Gate” é uma faixa instrumental que pode ser vista como um desperdício, marcada por elementos eletrônicos modernos, mas sem um único verso. “9th Heaven” retoma a mesma temática: "Nada é mais doce do que o último suspiro". A ideia de continuar vivendo é perturbadora. Tudo o que Ashanti expressa aqui remete ao cansaço da existência, à dificuldade de lidar com suas próprias decisões e com as condições impostas pela vida. É a infelicidade de ver o tempo passar enquanto muitas coisas permanecem iguais.
Selo: Ugly Had Records
Formato: LP
3/5
Only Dust Remains é um álbum sombrio no sentido mais puro da palavra. Desde a capa — sem cores e com uma imagem inquietante da artista exibindo uma expressão facial obscura— até a forma como Backxwash rima em todas as faixas, sem exceção. A temática, repleta de raiva, descontentamento e revolta, aliada à produção agressiva que flerta com o post-rock e rock, mantém a identidade característica da artista. Antes deste lançamento, Backxwash já havia explorado conceitos profundos em uma trilogia de álbuns que abordam herança negra, identidade e espiritualidade. Possuindo a influência tanto pelo hip hop quanto pelo rock e horrorcore.
Para fãs de hip hop que não estão acostumados com esse tipo de fusão entre estilos, Only Dust Remains pode soar estranho à primeira audição. Mas, ao entender que a proposta do álbum é justamente incomodar, sua sonoridade faz muito mais sentido.
A rapper Ashanti Mutinta explora a temática fúnebre desde “Black Lazarus", a faixa de abertura, expondo o conflito entre sua angústia pessoal — envolvendo traumas ligados à ancestralidade negra, autoestima e questões subjetivas. No entanto, de forma inusitada, ela expressa um descontentamento consigo mesma ao comparar seus próprios dilemas com a realidade de pessoas que, em sua percepção, sofrem ainda mais. "Por que diabos estou reclamando aqui / Quando há crianças em Gaza sem um pai", canta Ashanti, contrapondo seu próprio sofrimento já exposto anteriormente na faixa, como se discordasse de si mesma.
O ponto alto (nem tão alto assim) do álbum vem logo na segunda faixa, “Wake Up”. Com pouco mais de sete minutos, a música brinca com ritmos e parece nos transportar para os pensamentos mais íntimos de Ashanti. É como se entrássemos, de fato, na mente dela. Gritos de "Acorda!" ecoam, expressando um ódio suprimido por muito tempo. Durante cerca de cinco minutos, somos expostos a uma confusão mental que estressa, incomoda e evoca sentimentos angustiantes. No entanto, logo depois, surge um coro semelhante ao de uma igreja, que, após a explosão de raiva, transmite apenas tristeza e uma vaga esperança de algo melhor.
O projeto de Backxwash certamente nasce da experimentação — testar ritmos, instrumentos e uma sonoridade que se recusa a se encaixar. Não se trata de uma proposta falha, mas há momentos no álbum em que a experiência se torna cansativa. “Undesirable” apresenta uma bateria de fundo que parece em desacordo com sua rima, sem uma progressão clara. “9th Gate” é uma faixa instrumental que pode ser vista como um desperdício, marcada por elementos eletrônicos modernos, mas sem um único verso. “9th Heaven” retoma a mesma temática: "Nada é mais doce do que o último suspiro". A ideia de continuar vivendo é perturbadora. Tudo o que Ashanti expressa aqui remete ao cansaço da existência, à dificuldade de lidar com suas próprias decisões e com as condições impostas pela vida. É a infelicidade de ver o tempo passar enquanto muitas coisas permanecem iguais.
Selo: Ugly Had Records
Formato: LP
Gênero: Hip Hop / Rock, Post-Rock